segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

d'Orfeu - 18 anos !

Associação Cultural d'Orfeu foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural pela secretaria de Estado da Cultura. Trata-se do maior reconhecimento feito a esta instituição que festejou, no mesmo dia em que recebeu o prémio - 4 Dezembro, a sua maioridade.

Creio ser uma homenagem justíssima a um projecto que sempre se pautou pela diferença, pela vanguarda e originalidade na forma mas também no conteúdo. Com o aparecimento da d'Orfeu, tornou-se mais próximo o (re)conhecimento de novos talentos mas também das ideias criativas que se fazem por cá e não só.
Águeda, a sua terra, ganhou um papel ainda mais significativo e vê o seu nome crescer e afirmar-se no mapa cultural português.

Parabéns à d'Orfeu !


excerto do espectáculo PaGaGnini, visto em 2007 - inserido no festival O gesto Orelhudo

sábado, 7 de dezembro de 2013

ENVC - o trigo e o joio

Confesso que todo o aparato mediático criado em torno dos ENVC me desmotiva a seguir com atenção aquilo que podia (e pode ainda) ser a recuperação de uma das mais importantes empresas do Alto Minho.

Apesar da contra-informaçao habitual nestes casos, os estaleiros parecem viver uma situação de falência  ha vários anos, com sucessivos episódios de negócios cancelados, promessas não cumpridas, entre outros. Como primeira opção, o Estado decidiu privatizar mas logo se insurgiu a UE a anunciar que a capitalização de 180M feita aos ENVC era ilegal, fazendo parar todo o processo. Encontrada a alternativa da concessão (poder-se-à discutir os valores da renda anual - 415 mil euros), a empresa ENVC é obrigada a encerrar, colocando 620 trabalhadores no desemprego. É aqui que entra a Martifer - grupo empresarial que ganhou a concessão - e também se abre a guerra.

Os trabalhadores, ao queixarem-se da nova situação em que se irão ver, parecem esquecer que viveram pendurados num apoio pouco legítimo, digo eu, de um patronato que tentou aguentar a empresa, mesmo quando ela já não apresentava resultados positivos. Gorada que foi a opção da venda, a concessão surge como um mal menor, permitindo a repescagem de uma boa parte (senão maioria) dos trabalhadores, detentores do know-how necessário para prosseguir a trabalhar na área e colocar a nova empresa em modo cruzeiro num menor espaço de tempo.

Como em todos os grandes negócios (públicos) neste país, o processo não estará isento de falhas. Muito menos se poderá deixar de encontrar semelhanças entre o caso ENVC e o das Minas da Panasqueira, actualmente exploradas também pela Martifer. Mas esta questão é, do meu ponto de vista e nesta altura, um ponto secundário a abordar. Importa pois que a nova empresa arranque já em Janeiro e que a grande maioria dos bons trabalhadores dos ENVC seja integrada nos seus quadros, levando a um novo impulso na economia regional e também nacional.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Madiba, o homem bom.

O mundo acaba de perder uma dos homens mais marcante de toda a sua história.

Creio que serão precisas gerações e gerações para se ganhar a percepção do que foi Nelson Mandela no século XX. Um homem de bem e de paz, que conseguiu por via da persistência da palavra e da honestidade do discurso, levar o seu pensamento e agir segundo ele, mostrando ao mundo como é possível transformar-se um povo ou vários povos sem que seja necessário erguer armas. Foi, de facto, um homem bom.

Viveu 27 anos em clausura total, de onde saiu para conduzir a África do Sul à última descolonização.
Digno de um líder. Político, mas também espiritual. Mandela terá sido um pai para muitos jovens que nos anos 90 sonharam em viver livres no país mais desenvolvido de África.

O mundo saberá reconhecer bem aquele que, para mim, divide o lugar de maior personalidade mundial do século XX com o João Paulo II.
Que descanse em paz. Na sua paz.



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Do dérbi.

De volta à escrita, aproveito a deixa do jogo de ontem para recuperar as entradas no blog.
Do que fica, registo a vitória do meu clube. Um dos melhores jogos de futebol deste século, por cá.

Bem jogado, com intensidade q.b., houve a dinâmica do Sporting e a tradicional tremideira da defesa benfiquista. Com o JJ quase em campo, foi mais uma vez o Cardozo a figura principal do Benfica.

Sem casos de maior, eis que surge um lance claro de penalty ao minuto 98, que até deu o 4º golo do Benfica e por isso, ninguém fala dele. Dez minutos depois, outro lance, outro penalty, desta feita para o Sporting. E aqui nasce o 'escândalo' sportinguista. O treinador que nunca iria falar de árbitros, deixou cair a promessa e abriu o livro na conferência de imprensa. O presidente recuperou o discurso de perseguido, de vitimização.

De repente, perdeu-se o encanto do jogo, esqueceram-se os 7 golos marcados e os 120 minutos vibrantes de futebol. Pena que momentos destes sejam tão raros e tão mal aproveitados por cá. Facilmente assistimos a encontros semelhantes (ou ainda melhores) aqui ao lado e por essa Europa fora, onde se interpreta o futebol como parte da cultura e tradição, superando pormenores, porque é mesmo de menoridade que se trata.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Francisco, o Papa simples

13 de Março de 2013.
Papa Francisco. De nome ímpar, que confesso nem me caiu no ouvido.
O rádio do carro teimava em não captar bem a emissora, e o primeiro discurso foi confuso de se perceber. Mas a mensagem era já diferente do antecessor.

Bento XVI (ou Joseph Ratzinger) não foi um Papa de cair no goto. Sempre com um olhar estranho, algo dúbio sobre as pessoas e as manifestações de carinho e júbilo que lhe transmitiam ao passar por ele. Com um discurso elaborado, sentia-se deveras a distância entre o primeiro e os seguintes. Entre o Papa e os fiéis.

Francisco vem quebrar esse gelo. Logo no início. Surge humilde. Desde logo no primeiro discurso. E vai continuando, na escolha dos paramentos, na casa onde fica, no carro que conduz, no papa-móvel. Em tudo! Mas fundamentalmente, no discurso. Na palavra que transmite e no modo como faz chegar a sua mensagem. Esta é, a meu ver, a mudança de paradigma na posição do novo Papa.
Com Francisco, percebe-se que a Igreja católica deve convergir em vez de divergir, deve olhar para dentro e começar a sarar feridas, deve olhar o próximo como a si próprio, sentindo que um dia talvez os papéis se possam inverter.  A mensagem passou a não trazer códigos, tornou-se simples e acessível às pessoas menos instruídas. O amor pelo outro passou a tema primeiro de sequências de conferências (mais inéditas que nunca, com improvisos inesperados), de visitas a locais difíceis até ao maior encontro de pessoas do mundo - Jornadas Mundiais da Juventude.
Com o novo Papa, a Igreja católica volta a sentir que é possível chegar a entendimentos, mostrando que começa dentro de nós. 

Creio que estão lançadas as sementes para um novo ciclo, no qual a igreja saiba estar à altura do seu tempo e possa transmitir que os valores e ideais de Jesus Cristo são actuais e possíveis de seguir nos dias de hoje, em que a sociedade é, mais que nunca, uma soma de parcelas e um conjunto de números e rácios desprovidos de escrúpulos sobre o ser humano. Talvez, como João XXIII, se assista a mais um passo em frente, num novo Concílio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Dia de Santa Cecília

A propósito do Dia Internacional da Música, nada como voltar ao princípio.
Sons do Mestre J. S. Bach!



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rescaldo das eleições

Destas Eleições Autárquicas, muito já foi dito sobre os resultados (nacionais). Não quero deixar de expressar a minha opinião que em tudo diverge, ou seja, para mim, os resultados nacionais são uma mínima parte do que foi levado a discussão e a votos. Por muito descontentes que possamos estar com a governação actual, isso dificilmente nos levará a votar contra o candidato do mesmo partido, porque é precisamente esta a diferença - o candidato e o partido. Nas autárquicas, muito mais que nas legislativas, escolhemos pessoas. Equipas formadas por rostos que estão patentes em flyers e outdoors espalhados pelas ruas.
Outro assunto, e este sim mais premente, poderá estar nas escolhas feitas pelas concelhias e distritais sobre os candidatos a apresentar. Só aqui, a meu ver, poderá estar a ligação entre o candidato e o partido.

Posto isto, penso que houve um vencedor - o povo. Brando e de bons costumes, quase não teve actos despropositados, e elevou uma vez mais o valor da democracia, sobretudo na ressaca de uma reforma administrativa que uniu freguesias (ainda sem nome) e obrigou os movimentos políticos a redefinirem programas e horizontes.
 Salienta-se a entrega da câmara do Porto a um candidato independente (ainda que com um leve apoio do CDS), feito ímpar até aqui, e também os ecos do que poderá ser o virar de página na Madeira, onde a população parece estar a desviar-se de uma tendência quase incónica de voto.

Resta falar do novo actor que estas eleições revelaram - a página dos Tesourinhos. Foi, claramente, uma lufada de ar fresco e uma nova forma de dar a conhecer o país real em que vivemos.
Muitas fotos e vídeos foram partilhadas, mas eu não resisto a colocar o slogan que mais me marcou. Dificilmente seria pior ! :)